O vestido certo na garota errada
Tenho que ir embora daqui. Tudo bem se eu ficar, mas mesmo
assim será complicado. Preciso de um emprego. Eu sei, vou me foder de qualquer
jeito ficando ou não.
Não aguento mais fugir, não dá mais, mas foda-se eu nem queria
mesmo sair desse jeito. Às vezes penso que estou cega e que estou com a pessoa
errada. Ele não é pra mim, e eu não sei por que continuo falando com ele. Ele é
um cara legal, mas não é pra mim, ele merece muito mais do que eu, só ele que
ainda não percebeu, justamente porque é um cego. Mais cego do que eu. A paixão
cega de uma maneira incrível.
Sou uma caçadora, mas isso me faz sofrer. Eu queria alguém
fixo. Bem, ele é perfeito, mas ainda sim não é pra mim. O fato é que ele se
adapta a minha situação atual de vida. Essas proibições, essas faltas de
possibilidades, de liberdade.
Eu tenho tantas possibilidades de vida, e a dele é a que
mais se adapta, mas não é a que eu mais quero.
“But Love is like the right dress on the wrong girl”, como na música do Aerosmith. E
isso é triste demais.Parece que dá certo pra algumas pessoas, mas pra mim nunca
deu.
Sabe, esses filhos-da-puta eu até perdoei já, mas não
esqueci. Foi como um dominó pra mim, tanta filhadaputagem! Não importa, o fato
é que um me fez eu esquecer do outro, e um a um eu parei no amor manso, mas
fraco e de plástico. Porque o amor verdadeiro sussurra e por isso não pega
fogo, não é paixão. Ai quanta filhadaputagem!!! Eu quero que eles se fodam!
Tenho meu coração tão fudido, mas ele consegue concertar cada pedaço com um
toque a cada vez que eu estou com ele. Então tudo bem, mas se ele fica muito
tempo longe de mim, acontece que os filhos-da-puta voltam a povoar a minha
mente. E dói, e eu choro. Choro com raiva e isso é um veneno.
Então eu preciso ir embora, ou não. Me coração fica sem foco
algum, por não saber onde, como e com quem estarei em 2013. É tudo tão
confuso...
Sem foco eu acabo ficando sem forças e fico repensando
minhas escolhas e possibilidades. E vejo que não me conheço bem, e isso é fatal
pra mim. Eu quero escrever, escrever, escrever... Mas parece que tem algo me
bloqueando profundamente. São meus compromissos. São meus pais. São minhas
obrigações. São minhas dúvidas, meus precipícios.
É tanta coisa, tanta possibilidade diferente! Eu posso ficar
aqui, posso ir pra Montevidéu, posso ir pra Barcelona, Santa Maria, Pelotas,
São Paulo ou o raio que o parta. O problema é que estou sem foco. E o pior de
tudo, tenho só dezesseis anos.
Não sei se mergulho ou só molho os pés.
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