Mergulho no inconsciente da solidão
Está
esfriando. E eu não deveria deixar que isso acontecesse de novo.
E EU SEI que filha da puta não
tem hífen. Mas e se eu estiver criando meus próprios neologismos não posso ser
condenada por nada.
E continuo sem vontade de nada
seus filhos da puta.
Não costumava usar máscaras até
cair nesse buraco imundo.
Deja vu?
De agora em diante não haverá
essa de esforços e boas maneiras. Todos estão condenados ao meu caos irônico e
semidelinquente.
Não existirão motivos para
risadas nem risos sutis, pois haverá apenas a doente perspectiva de um futuro
incerto e corajoso.
Apesar de tudo, meus amigos não
serão perdidos por mim, eles é que me perderão, talvez para sempre, porque meu
tédio já não é como costumava ser, porque agora é um tédio ocupado e perdido.
Talvez alguém me reconheça na
rua. Ou quem sabe eu me torne meu próprio fantasma que assombra os próprios
pais.
E que durante as noites de verão
meu suor molhe os lençóis já imundos.
Meu dinheiro será economizado para
alguma possível e muito provável miséria futura que talvez me tire dessa
loucura da mesma maneira como se salva alguém de um afogamento cruel.
E talvez meus vizinhos reclamem
dos meus ruídos incessantes que faz com que minha mente se livre de todo esse
lixo reciclável que são minhas ideias inexatas e confusas e completamente
mutantes.
Nunca quis irritar ninguém, nem
nunca fui capaz disso. Mas a única coisa que consegui foi criar um mundo em que
raramente a realidade se manifesta. Parece ruim, mas me achei de repente me
isolando de qualquer forma de sociabilidade para não sofrer mais. O problema é
que também acabei esquecendo que a família é sociedade.
Sei que a vida é feita de perdas
e ganhos, mas quando as perdas se tornam maiores que os ganhos é impossível não
querer desistir ainda que seja parcialmente. Com tanto filho da puta por perto,
acabei querendo ser um filho da puta solitário, porque minhas perdas são
incalculáveis, assim como as suas, seu idiota.
Nunca planejei ter tantos
ressentimentos, porque estou sempre buscando uma forma de me sentir bem. Me
sinto bem quando estou sozinha.
Estive buscando alguém por muito
tempo e hoje sei que só existe você para completar meu mundo, porque não há
ninguém mais que seja capaz de fazê-lo, exceto você. E eu não te considero um
filho da puta. e curiosamente não me importo mais com que os outros pensam. É
uma pena que eu me importe com beleza, porque até onde eu saiba ainda não estou
cega, embora muitas vezes eu pareça estar.
Quando o próximo inverno vier, eu
já terei apagado todas essas podres lembranças e estarei buscando um novo lugar
para viver. Frio me irrita. Calor me dá tristeza, porque meu corpo não quer se
mostrar, por pura vergonha.
Sinto como se estivesse caindo
num abismo assustador que traz uma morte calma e uma paz perfeita e solitária.
Estou condenada a companhias, mas se i que ninguém gosta de ser condenado a
nada e por isso resolvi subverter a maldita sina da humanidade, que é burra,
inconsequente, cega, programada, caótica, superficial e doente. Aos poucos fui
encontrando em outras letras que não as minhas, pessoas como eu. Mudas por
causa da petrificação que a realidade fantasiosa traz à tona. Ainda bem que as
conheci. É engraçado... Me sinto um deles agora, porque tive de abandonar o que
tinha construído numa vida inteira. É uma pena que tenha sido assim. Agora me
sinto tomada pela realidade e cheia dela, porém sei que caí numa loucura
irreversível, pois enquanto os objetos que amo estiverem ao meu alcance
continuarei sendo insuportável e jamais poderei voltar ao meu estado normal.
Normal? Não, apenas original.
Às vezes a raiva mata, sangue
quente pode ferver.
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