Negativas

 
Não. Não estou feliz nem satisfeita com nada. Não sei ser uma boa amiga, boa filha, boa neta, boa cidadã, boa coisa nenhuma. Passei a vida fazendo as coisas pela metade e nego pela metade agora também, porque não consigo terminar nada, nunca tenho sucessos.
O tempo vai me corroendo e me puxando para baixo e eu me desespero e ninguém tem culpa, ninguém entende que estou cansada de pessoas remoendo pequenos problemas (só para parafrasear o Cazuza). Não há nada que eu possa fazer para mudar esse lugar? Gosto muita da poesia “O Estouro”, do Bukowski, e se você por acaso, estiver lendo isso, procure essa poesia, sem desculpas, leia-a e saberá como me sinto, e descobrirá que se sente assim também e cairá no choro, porque não há dinheiro que possa comprar uma alma ensanguentada que não vale nada além do que a vitrine possa etiquetar.
Não restou ninguém, é como se tivesse acontecido uma catástrofe e só restassem poucos sobreviventes. Não acreditam que eles tenham tido uma verdadeira vontade de partir, apenas acho que eles deviam ir, porque um imã os puxava e levava rápido como um temporal de verão e nenhum deles pôde nem sequer sussurrar um simples e pequenino “não”, pois não havia força maior que pudesse puxá-los novamente à superfície, então eles se afogaram para bem longe... Alguns chamam isso de deus. Talvez seja o contrário, talvez eu tenha me afogado e eles encontrando uma ilha onde pudessem ficar até serem resgatados. Porque o suicídio sempre é meu. Eu abandono. Mas eu amo de verdade, eu apenas achava que precisava partir, ser livre é não deixar criar raízes, por isso corri antes de prender-me aos meus oásis.

                Eu apenas não consigo, não posso e bem no fundo, não quero.

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