Já que é rap, vamo pôr a culpa no sistema...

     Aquela pintinha debaixo do olho esquerdo e as três frases mais repetitivas que saem da boca dele. O sonho virando realidade. Tudo inacreditável, mas ao mesmo tempo sem serventia nos dias de hoje. A calma das palavras saindo simples e reais, com toda a sinceridade e o sentimento de estar casa, como eu sempre quis. E o cheiro da maconha, as lápides do cemitério megulhadas na noite, o álcool correndo nas veias, a terra das ruas, as brincadeiras de criança. A seriedade dele mergulhada na total lealdade e fidelidade. Não nasci para metades. Preciso ser inteira. Tenho que aprender que a segurança só se pode dedicar para uma pessoa. Servir de musa inspiradora e poder cantar rimando. A certeza de que haverá proteção e gestos que parecem secos, mas são dados só quando reais. O respeito pleno exigido. Os risos arrancados e a falta de vergonha. A paciência e a tolerância e o sentimento de que era disso que precisávamos para crescermos juntos. A inutilidade do sexo e dos beijos perto dos poemas e frases feitas com o coração e a criatividade exclusiva.
     Meu arrependimento de não pôr ele em primeiro lugar em minha vida e não me meter rm situações de mudez e incompreensão de alguém que não assume as responsabilidades e prefere o virtualismo do que as ruas e a desumanindade mórbida e a superficialidade suicida e o ceticismo baseado em algo comprovado por outros e não pelo próprio espiritualismo.
     Eu só precisava jogá-lo para fora, porque são cinco mil vezes que esperei-o contra apenas uma que  ele esperou-me.
     Era paixão, um dia acaba. Tantas mentiras, hipocrisia e falta de compromisso. Me arrependo de tudo. Não gosto mais dele. Sei que esperei em vão. Por que ainda estou aqui? Está claro que estaria com a réplica do meu filho da puta preferido se não tivesse perdido tudo que tinha por causa da minha prioridade errônea.
     Os conceitos de amizade tão mais leais, o bairro unido, os tiros, o amor, a fartura, a espontaneidade, a dor enterrada no fundo do coração, o anti-capitalismo, a incrível e exageradamente suficiente sinceridade, o desejo de crescer junto com a cultura das ruas, que é a realidade, a seriedade, a cumplicidade, os valores não-invertidos, o amor sincero, a dedicação exclusiva e a vontade de sonhar com um mundo humanamente melhor e o cheiro de amor, música e paz.
     O descarte da minha auto-destruição e depressão de não ser boa o suficiente convertida na fé da vida, parando de fumar, a consciência de que guerreiros de verdade buscam soluções, dão a cara a tapa, enfrentam os problemas de frente, trabalham, lutam contra a hipocrisia e não querem aceitar serem sustentados ou fazer a família chorar, sem nunca perder o espírito de criança e acreditar em coisas boas e ficando disponóvel sempre, sabendo como se apaixonar inocentemente e sme buscar se aproveitar de algo e sabendo brincar na hora certa com as coisas mais mágicas.Lembro de quando ele era seco. Ele estava certo. Quis fazer valer agora, porque coisas virtuais não rendem boas histórias de amor.
    Amor é quando a gente se preocupa se a pessoa está se sentindo sozinha sem nós e paixão é quando nós não conseguimos ficar bem sem ela, porque é como uma droga e a abstinência te atinge.
    Preciso estar bem, cumprindo minhas responsabilidades sem estar dependente de ninguém, porque não podemos ser somente um, precisamos apenas buscar crescer juntos. A infantilidade é até perdoável. É bom não ser a vítima de vem em quando, principalmente quando não há maldade de minha parte, pois tenho um coração extremamente bom e livre. O comodismo do familiar é mais livre de ilusões do que o que reluz para seduzir e não dá nada em troca. É o que acontece quando um estilo de vida não lhe cabe mais: ele desmorona dando lugar a outro disposto a mudanças.

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