Emergência
Meu ritmo está perdido. Não tenho tempo de escrever de verdade, sangrando sem pena, sem pressa, no descaso da minha própria solidão e ainda sim sóbria. Todos os meus problemas se tornam pequenos quando vislumbro meu rosto na noite, desbotado e contente, falante e prepotente, fingindo uma extrema alegria, mas morto por dentro, de saudade, de medo, de arrependimento e de confessa loucura. Sou ansiosa, minha angústia não se limita apenas a mim, eu esbravejo e todos me encaram, estou encenando a peça da minha vida, ele costumava me dizer que eu achava que estava vivendo em um filme. Muito bem, eu sei que seria uma ótima atriz, porque me convenço e também porque fiz um teste vocacional e artes cênicas venceu, até porque escrever não é considerado profissão no mercado de trabalho vigente. Entre todas essa merdas escritas nenhuma frase compete com a ficção, pois as mentiras e estórias sempre valem mais dinheiro, porque a minha verdade dói, ainda que seja dita a conta gotas, nunca desmedida...