Monólogo para dois

      Disparei em direção ao nada e fiquei andando de um lado ao outro, sozinha. Enquanto você se entretem com as superficialidades do mundo moderno e deseja se afogar em mares não navegados, pois a emoção de ter alguém que os outros não tiveram antes de você e ser o primeiro é impagável e não há nada que se compare a isso ou que possa te satisfazer completamente a ponto de te fazer mudar de ideia e apenas esquecer essas possibilidades, eu caminho de um lado ao outro, e o pior de tudo: estou sã. Imersa em fumaça e em sensações completamente vazias, pois não tenho aqueles lapsos nem aqueles tremores de quando estou bêbada e acho que tudo pode ser consertado no dia seguinte, mas não pode. E você, vagabunda, que provavelmente está lendo esse texto (não sei porque as pessoas perdem tempo com coisas que não gostam) vá ler um livro ou se masturbar, porque é muito mais construtivo ter prazer do que ficar criticando a vida dos outros, a qual você já não tem nada a ver, mas não percebe porque está vazia e sozinha.
     Será que estou sendo dura demais com os outros e comigo mesma? Parece até que não aproveito bem as coisas no momento em que elas acontecem, mas logo percebo que elas não duraram para sempre. Rotina sempre destrói tudo. E você garota nojenta, meta suas palavrinhas em inglês no cu. Até onde eu saiba, você está no Brasil.
     É triste quando você é como um animal de estimação que precisa de uma atenção mínima diária para cumprir sua obrigação de dono. Quer espaço? Te dou espaço. Mas não perturbe minha paz se não pode dar nada em troca além de bagunça, física ou mental. Tenho muito o que fazer e não gosto de ter as coisas não planejadas, porque elas normalmente não dão certo, não vivemos em um filme. Acordar tarde se tem que sair não é uma escolha certa, esperar que as pessoas estejam disponíveis quando elas lhe esperaram por horas tampouco.
     Tenho sede. Sede dos outros, mas não posso renunciar você para tê-los. Ah, que tola me tornei! Incrivelmente fodida. A vida não podia ser mais chata!
   

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