Poemas para cavalos


Fui à biblioteca quinta-feira para devolver O Ovo apunhalado, do Caio. Ando cansada das pessoas que julgam Caio Fernando Abreu como um estereótipo romântico batido, assim como Paulo Coelho. Pode até ser que eles sejam uma espécie de “modinha”, mas não é bem assim. Por experiência própria posso dizer que eles me inspiram e são meus preferidos; fizeram e fazem parte da minha vida, eles entraram na minha cabeça e mudaram muitas coisas, me fizeram sentir coisas que eu nunca havia sentido antes. Eles mudaram meu pensamento sobre muitas coisas no mundo. Alguns podem afirmar que me mudaram para pior. Meu pai, por exemplo...
            Lembro que quando eu tinha uns onze anos, e considerando o fato de que eu leio compulsivamente desde os nove anos, meu pai me disse que não era bom que eu lesse Caio ou Paulo, mas eu não comecei a lê-los por rebeldia ou para contrariar meu pai, porque afinal, lendo ou não Caio e Paulo, eu teria aprendido as coisas que eles mostram nos livros de forma adstringente e cortante de um jeito ou de outro, com a vida. Anos depois do conselho do meu pai, eu acabei lendo Caio primeiro. Li uma coletânea de contos dele. Confesso que não me surpreendi da maneira que a maioria das pessoas se surpreenderia. Talvez porque eu sempre estive habituada com a melancolia misturada com essa inquietude presente nos livros do Caio e do Paulo.
            Foi quando senti uma rebeldia que vinha dum vazio adolescente comum. Então, com quatorze anos eu li meu primeiro livro do Paulo Coelho: Veronika decide morrer. E me senti mudada. Avassaladoramente diferente. E me senti uma Camilla melhor, uma Camilla mais madura apesar de tudo. E considerei Paulo um grande homem, assim como Caio. E que se foda a opinião de todo mundo. Paulo não se considera um “mago” como todos julgam erroneamente. Ele é apenas um escritor. E não, ele não escreve autoajuda. Ele escreve obras como qualquer outro escritor, a diferença é que sua literatura é direta, simples, sensível e mágica.
            Voltando à história da biblioteca... Bem, eu devolvi o livro, e peguei O Alquimista, do Paulo. Comecei a ler sexta e terminei sábado. Rápido. Muito rápido. Indico o livro, um dos mais vendidos do mundo e com certeza cheio de loucuras, magia e maktub. É lindo.
            São incríveis essas pessoas ignorantes que julgam sem conhecer e as que não sabem interpretar, não sabem ver o lado lúdico da realidade, levam tudo literalmente e acabam por viver vidas miseráveis e materialistas. Nem tudo que é dito é exatamente daquela maneira. É como interpretar sonhos. Na maioria das vezes as maiores verdades estão escondidas para que os puros de coração enxerguem. São fábulas da vida e as lições estão nas entrelinhas. Baixa fechar os olhos e ver com um coração. É como em O Pequeno Príncipe: “O essencial é invisível aos olhos". 

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