Consequência das fugas

E então ele veio para perto de mim e eu já não pude evitar de dizer o quanto sinto muito. E ninguém entende direito o que aconteceu, mas as coisas nunca mudarão e continuo servindo para poucas coisas na sociedade. A maioria delas nem vale a pena, somente me escravizam e me cansam. E todos eles dizem que eu sou boa para foder. Já não enxergo ninguém no meio das luzes, tornaram-se todos iguais para mim. E eu vou me deixando levar. Mas o dinheiro não me convence à largar a vadiagem e ter o que comer. E leio todos os clássicos que sempre quis, meu dinheiro se esgota, mas eu comprei minha liberdade.
Minha máquina de escrever faz muito barulho e eu não posso ser despejada novamente. Queria uns móveis, não consigo ficar trancada nesse quarto o tempo todo sentindo as paredes me engolirem como em um livro do Stephen King. Então eu saio... A nicotina destrói minha saúde o tempo inteiro e eu perdi o contato com meu pai.
Mas todas as minhas escritoras fodas sofreram assim: Anais Nïn, Clara Averbuck, Simone de Beauvoir, Virgínia Woolf e outras dezenas.
Por isso já não me sinto tão mal, mas as vacas magras estão aí, e não é só para mim...

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