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Mostrando postagens de julho, 2011

DAQUI PRA FRENTE

E eu sigo remoendo meus pedaços De carne estéril Onde não há nada de puro Por onde vertem veias ensangüentadas E desmonto partes de um além muito longe Por onde não posso mais contar migalhas Nem imaginar desenho em nuvem Revivo as memórias mortas Segue ardendo em mim algo de romântico Em linha reta desperta o anseio Por tempos que não existiram E não podem ser mencionados Contanto que não roubem meus restos Meus sonhos humildes De criança doce, Não vou morrer Nesse jeito flácido de amar Esplandece uma obsessão A do controle total A do orgulho ferido

REMETA-ME

Remeta-me lembranças corrompidas E beijos vazios, Abraços sem cúmplices Conversas solitárias E clima quente Remeta-me beijos inexistentes E palavras sem nexo De um amor proibido Poemas sem versos E fragrâncias de flor Desperte em mim o desconhecido, O intocado.

O que esperar do futuro?

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Parando para pensar. (é claro que não foi a primeira vez que pensei nisso, assim como não será a primeira para ti, mas...) Enfim, percebi as pérolas atuais da humananidade. A facilidade é uma delas. Hoje para se ler um clássico universal, já não é mais necessário ir na biblioteca, eles estão no Domínio Público . Não é mais necessário sair de casa para comprar, pode-se comprar na internet. Não é mais necessário ir até bibliotecas e pesquisar em enciclopédias, é só procurar no Google . Não é mais sair para encontrar amigos, é só ter um perfil no Facebook . Não é mais necessário enconder as opiniões, é só postar no Twitter . Não há censura, há liberdade. Hoje nada é tão demorado quanto antigamente. Essas coisas ao mesmo tempo me assuntam, me convencem de tudo é uma loucura, me deixam tranquilas e mais sei lá o quê. Me dá impressão de que o mundo é uma bomba relógio. não sei direito o que esperar do futuro, pois ao mesmo tempo em que as TVs que eram umas caixas gigantes...

One in a million

Ser jovem é estar num ninho estranho E não possuir nenhuma bússola É caminhar sem rumo Numa rota mortal É procurar em vão É estar num corredor cheio de portas: algumas trancadas É estar num labirinto Correr sem ter por quê Com muito tempo e tempo algum Fugir pra lugar nenhum Experimentar. Ser jovem é ser um pássaro de asas machucadas, mas que está com a gaiola aberta É ser uma bomba relógio Uma metamorfose ambulante É ser mutante.

Meu sonho

Num vazio espontâneo Eu, você, nós Tem algo de estranho Na tua voz Nunca pensei em nada Que me fizesse tentar Algo novo, premeditado Mas tive um sonho E então mudei Vi flores azuis Borboletas negras Vi rostos que conheço Vi amores que não existem Fundei lugares De onde vim E não vou voltar Tive um sonho Sem nenhum frio Apenas sol e água Na manhã de outro mundo Estava tudo escondido Até o frio de outubro Que é quente e mortal No meu sonho

Em julho, em mim.

Nunca me senti tão mal. Mas pra quê? Tem tanta coisa pior e eu aqui no meu egoísmo incansável. Quebrando copos e batendo portas. Num vazio mortal: o da solidão. Sem nada a dizer e muito o quê contar. Sem nada pra fazer e muito a realizar. Sonhos infantis, mudança juvenil, responsabilidade adulta e tranqüilidade idosa. Num só ser:   Eu.

LOUCURA

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Prendo a vivacidade da infância Solto corvos mercantis Escondo a fragilidade morta Solto a hipocrisia metódica Dispo toda a inocência Visto toda naturalidade fingida Roubo toda a espontaneidade Mato a sanidade Compro a felicidade E domino falsos amores Busco o nada-além desnecessário Recobro a consciência inaudível Idolatro imagens corrompidas Corôo personalidades magnas Desprendo ideologias baratas Invoco almas corruptas Encaixo medos inúteis Descubro segredos sagrados Discuto legítimas verdades Ignoro pagãos pessimistas Discordo de idéias machistas Concedo minha exatidão Exponho-me ao ridículo Perco completamente a razão  

A ESPERA

Leves passos no silêncio Resguardam a mansidão da espera No obscuro repleto de estrelas Que riem no céu Onde mora a esperança Ela caminha para um lugar múltiplo Num tempo de tristeza e nostalgia Em que a espera apenas realiza o que é necessário Num mundo azul e contente Que faz os dias mais longos Onde há borboletas e balanços Onde se quebra o silêncio Num lugar onde sempre é primavera As regras são defeitos E os sábios são hedonistas Encontra-se a espera

SE EU PUDESSE

Se eu pudesse Cantar aos passarinhos Minha triste canção Com um timbre tranqüilo Que levantasse do túmulo Milhões de almas Almas nobres Almas puras Almas vivas Que guardassem segredos E aplaudissem de pé Meu show sem platéia

ILUSÃO

Fecho os olhos Tateio na escuridão Simples partículas Do mel do silêncio O dia escurece as lembranças De um futuro longe Onde as ondas dancem E o céu dê bom dia No nada espero quieta Sentada no chão Na cegueira juvenil Transbordando emoção Porque estou num entre - muros Mas é com sorte que vejo Tudo que existe aqui Nas sombras da ilusão

Se acaso fosse assim

Se eu acaso eu pudesse viver na boêmia de ser feliz. Um feliz descansado, vazio, desempregado. Um feliz sono. Sono sem preocupação, sem amanhã, na verdade um amanhã sem se importar: chuva, vento, frio, calor tropical? pouco importa, é só um dia a mais.

SEM FOGO E SEM RAZÃO

Procurando entre livros Encontrando nada Nem fogo nem razão Nem mínimas palavras Expressões sem nexo Nada poético Tudo profético Migalhas de sexo Num quarto escuro Procurando um botão Que abaixe o volume dos pensamentos E faça sumir essa canção Que fala de amor Que busca um conceito Que clareie o sol De um dia nublado

FOGO MORTO

Num frio corrupto Com gelos ardentes Dilacerando as carnes Comendo os restos E todas as carcaças Ao chão frio Carcomidas e recentes Desaparecendo nas chamas Num inverno incomum Cheio de ardências Corações sobreviventes Das guerras incompreensíveis Num mundo vazio Queimando os pedaços de um imenso mosaico Fazendo sumir bocas, braços, cérebros Sem vozes graves ou agudas Nem suspiros, nem protestos Silencio mortal Sem motivo real nem ao menos racional Nada de concreto

TODO TEU VENENO

Perdi-me entre teus braços Caí em teus precipícios Bebi todo teu veneno Surgi por entre teus cabelos Beijei todos os extremos Bebi todo teu veneno Achei-me na superfície de tuas pernas Depois de nadar contra a corrente Morri com todo teu veneno

PARAÍSO PAGÃO

Olhos profundos Água límpida Mergulho no nada Nado em teu sangue Vejo a cegueira Do lugar onde estamos Num mundo distante Longe de ser real Aquele real que se toca Não existe aqui Aqui tudo é relvado Tudo nosso para sempre E o tempo não é justo Ele atravessa as paredes Convence passantes E controla a permanência

TEMPO REI

O tempo cigano Que não tem nada de rei Desprovido da magia E de toda majestade Olho nos olhos dele Que ri da madrugada Não me diz uma palavra E não apressa os ponteiros Já sem saída E correndo num círculo Perdida num labirinto Empurro os ponteiros As horas se arrastam E aos poucos me arrependo Dos céus intactos E algodões doces sem sabor

OBSESSÃO

Vejo em teus olhos Uma sedução desmedida Na qual não posso tocar Sinto os movimentos Mas só depois de acontecer Tão longe está Meu lugar onde tu vives Nunca fui lá e nunca irei O nada é longe Não é real Não vejo, não tenho, não conheço. Esqueço.

LIQUIDIFICADOR

Tive nas mãos O intocável segredo Aquele escondido Dentre mil desejos Todo pesar e toda cor Num medo do vôo Num sol de verão No liquidificador Sem buscar nada além Sem abrir os olhos No turbilhão do nada No liquidificador

ETERNO BREU

Sons no corredor Gritos no escuro Exorcizando toda dor Tudo o que é obscuro Corri e nunca alcancei Um lugar só meu Sem vozes descontroladas Nem eterno breu